Saavedra Valentim

Manifestações da alma

Textos

MÁGOAS

Do meu peito em ebulição
Ela sai, quente, como lava.
Queima-me a face, distorce a razão,
Não pude pensar, tão desorientado estava.

Mente confusa, pelo álcool distorcida;
Sua lembrança a me atormentar estava,
Levando-me ao delírio, confusa vida,
Como um refrão a repetir-me que a amava.

A alma deprimida, a bebida atenuava,
Anuviava a mente, entorpecia o sentido;
O mal, por breve tempo, não mais atuava,
O que me deprimia, agora estava contido.

Sei, que amanhã o retorno será cruel,
Pois livre do remédio, que ameniza
Este sentimento tão aversivo quanto o fel,
Que me massacra, me destrói, me inferniza.

Um dia me livrarei de ti,
Oh! dor compulsiva, que não domino!
Por tudo, que, por tua culpa, senti,
Advinda do mais nobre sentimento, abomino!

Assim não devia ser, eu creio,
Pois da mais sensível emoção advém,
Incontrolável impulso, receio
Tornou-me subjugado, impotente, refém.

A duras penas aprendi,
Com muito sofrimento e dor,
Entre querer e odiar, a um dos dois me rendi.
Entendi, que não é divino, não é nobre, é apenas amor!
Saavedra Valentim
Enviado por Saavedra Valentim em 04/04/2008
Alterado em 07/03/2015
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