Saavedra Valentim

Manifestações da alma

Textos

O TEMPO

Meu Deus, cheguei aos sessenta,
E não me dei conta; mais um agora,
Onde vou parar? Não para nunca, atenta!
Vou sempre contando mais um, neste tempo afora!

Um dia, o tempo, de tanto contar, enjoa,
Então ele pára o relógio, não há mais minutos, horas, dias ou anos,
Meu tempo desistirá de mim, me orfanará; só um som entoará
De asas, se é que as terei, para conduzir-me ao espaço sem tempo, sem danos!

Meu corpo inerte, imprestável, um verme que aos vermes se basta;
Só o meu eu, tal uma Fénix ressurgirá à vida
À consciência, acumulada de experiências: alegrias, tristezas, delírios, alucinações vastas,
Pecados, luxúrias, depravações, atos torpes, pela “Sua” bondade remidas.

Será que estou tão perto disso.... ou ainda me resta tempo?
Ou o meu tempo ainda terá tempo para contar meu tempo,
Por muito mais tempo?
Estou à sua mercê, meu querido tempo.
Saavedra Valentim
Enviado por Saavedra Valentim em 04/04/2008
Alterado em 02/10/2013
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