Saavedra Valentim

Manifestações da alma

Textos


TUA AUSÊNCIA

O amor que vem e vai,
É como a energia que se esvai,
Que some e consome, sem alarde,
Mas que na alma da gente arde,
Profundo no meu ser.
Tua ausência é cruel, é de doer,
Mas o que se pode fazer,
Se pomos tudo a perder?

Onde estás não sei dizer.
Te buscar não hás de querer,
Se te escondes, é por pura maldade!
Me julgas merecedor de tua crueldade,
Teu sadismo me faz sofrer. É o teu presente!
Te enlevas todo o mal que a gente sente.
No retorno sabes como me adular,
Tuas carícias minha revolta irão aplacar.

Nenhum remorso demonstras, nada sentes!
Teu semblante sereno, tal o de uma criança a dormir,
Teu sorriso brilhante, tuas mãos macias e teu corpo quentes,
Me induzem a novamente te abrigar, teus erros remir.
Um dia, sem que eu perceba, novo voo alçarás,
Outros ninhos hás de aquecer, novas vítimas conquistarás.
É como os pássaros que estão sempre a migrar,
Ou para fugir do frio, ou para se acasalar.

Fria nossa relação nunca será, com certeza.
Talvez, não te deixes seduzir, te sintas presa, cativa;
És como um rio caudaloso, vais ao sabor da correnteza.
Desdenhas quem te ama e ainda te sentes altiva.
Tem em conta, amiga, a águia tem todo o céu para voar,
Mas, talvez por cautela, ou sabedoria, sabe seu espaço limitar.
O tempo urge, as rugas rasgam o rosto, deformam a beleza.
Marcas de um passado glorioso e de um futuro de incerteza.

Um dia, sentirás na pele, é a vida que te desdenha,
Amanhã, deixo Deus te julgar, nada de mal te desejo.
Tua trilha revelará: em cada bar que esse mundo tenha,
Haverá alguém lamentando a falta de teu carinho, de teu beijo.
A mim não venhas procurar, melhor de tuas lembranças me remover
Pois te fecharei a porta e o coração, sem remorsos a me remoer,
Seria como seguires tua trilha de volta, numa mão contrária.
Consumistes duas vidas nesta vida, és uma perdulária.

Dizes sempre, sem te incomodar, da liberdade ressentes.
Dos teus passos estrada afora, sinto ainda as marcas recentes,
Deixou-me um rasgo no peito vazio, uma dor que nunca sentes.
Rogo a Deus que te mantenha longe, que estejas sempre alegre, contente,
Saudade fica em teu lugar, que por consolo penso: é a tua presença ausente!

Foto: Google
Música: As time goes by - Interpretação de Diana Krall
Saavedra Valentim
Enviado por Saavedra Valentim em 11/07/2011
Alterado em 24/01/2015

Música: -

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